projetos
1 1 1 1 Projeto Uçá III - Impacto genotóxico em populações do caranguejo-uçá, Ucides cordatus (Linnaeus, 1763) (Crustacea, Brachyura, Ucididae): Avaliação e correlação com a concentração de metais pesados em cinco manguezais do Estado de São Paulo.

O presente estudo visa avaliar o grau de contaminação da água, sedimento, vegetação arbórea (Rhizophora mangle) e do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) por metais pesados, em cinco manguezais paulistas, bem como analisar o impacto genotóxico sobre as populações deste crustáceo, com base na frequência de células micronucleadas.
Os manguezais são áreas de preservação permanente (APPs) e berçários de diversas espécies animais, incluindo o caranguejo-uçá, que é amplamente comercializado e consumido pelo homem em regiões litorâneas. Serão avaliadas cinco áreas de manguezal do Estado de São Paulo (Cananéia, Iguape, Juréia, Cubatão e São Vicente), previamente selecionadas de acordo com seu nível de poluição, cada uma delas representadas por três subáreas de amostragem. O sedimento, folhas da vegetação arbórea (R. mangle), estruturas corpóreas do caranguejo-uçá (U. cordatus) e água da galeria deste crustáceo serão amostrados para a quantificação de seis metais pesados (Cd, Cu, Pb, Cr, Mn e Hg), por espectrometria de absorção atômica. A hemolinfa de cinco caranguejos capturados/subárea (n=75) será colhida para o preparo de três lâminas/exemplar, que depois de coradas terão o número de células micronucleadas (MNs) quantificado sob microscópio óptico comum (1000X). Os dados obtidos pela quantificação de MNs, bem como dos níveis para cada metal pesado, serão submetidos à ANOVA simples e “nested” ANOVA, respectivamente, e as médias comparadas pelo Teste de Tukey (5%). Os resultados obtidos permitirão avaliar o estado de conservação dos manguezais e da qualidade dos estoques pesqueiros de U. cordatus, bem como compor parâmetros avaliadores de sanidade dessa espécie e orientar ações pelos órgãos governamentais para seu manejo.

Responsável: Prof. Dr. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro
Financiamento: Auxilio Individual de Pesquisa - FAPESP (Proc. # 2009/14725-1) e FUNDUNESP (Proc. # 01255/10-DFP)
1 1 1 1 1 1 1 Projeto Uçá II - Biologia e Manejo do Caranguejo-Uçá, Ucides cordatus (Linnaeus, 1763) (Crustacea, Decapoda, Brachyura).

Este projeto analisou aspectos relacionados a densidade e estrutura populacional de Ucides cordatus, avaliando seu potencial extrativo, fatores exógenos que atuam sobre a densidade, delimitação da época de acasalamento (quantificação da “andada” e repleção da espermateca), análise da fertilidade/potencial reprodutivo, composição química das folhas de mangue, disponibilidade das folhas senescentes na alimentação do caranguejo- uçá e rendimento/composição química da carne. A transmissão dos conhecimentos também foi repassada a alunos do ensino fundamental, por palestras seguidas de distribuição gratuita de uma cartilha de educação ambiental. Uma população do caranguejo-uçá foi amostrada mensalmente por dois anos, em uma ilha estuarina localizada próxima a Barra de Icapara, Município de Iguape (SP). Cerca de 200 exemplares/mês foram capturados, sexados/classificados em três grupos de interesse (machos, fêmeas não ovígeras e fêmeas ovígeras), medidos (LC, largura cefalotorácica) e pesados em balança eletrônica (PE, peso úmido total). A estrutura populacional foi efetuada empregando a medida direta dos exemplares, bem como o diâmetro das galerias da espécie após conversão para tamanho. A época de cópula foi obtida pelos meses de maior ocorrência de fêmeas com espermatecas cheias de espermatóforos (cópula recente), sendo confrontada com o fenômeno de “andada”, registrado diariamente de 01/outubro a 31/março, associando-os a fatores ambientais. A densidade do recurso será determinada mensalmente para duas áreas de amostragem com diferente influência dos parâmetros exógenos, visando caracterizar possíveis diferenças estatísticas (p. ex., manguezais altos vs. baixos). Cerca de 30 parâmetros exógenos relacionados à atmosfera, água, sedimento e vegetação serão registrados em 73 pontos de amostragem, variando espacial (n=25) e temporalmente (n=48), além de correlacionados à densidade de U. cordatus, possibilitando previsões sobre as áreas de manguezal com maior potencial extrativo. A fertilidade será também quantificada e comparada à fecundidade, com determinação das taxas de mortalidade embrionária e de eclosão, seja para o total como nas classes de tamanho. A composição química e a disponibilidade das folhas senescentes sobre o sedimento dos manguezais atuam sobre o crescimento da espécie, que apresenta taxa distinta conforme a época do ano. O rendimento da carne e sua composição química ainda não foram devidamente abordados para esta espécie, que vêm sendo alvo de intensa exploração, com processamento e industrialização artesanal deste produto, principalmente no norte- nordeste brasileiro. As informações obtidas tem sido disponibilizadas em reuniões com os órgãos gestores e fiscalizadores deste recurso, colaborando com as discussões relacionadas ao manejo desta espécie.

Coordenador: Prof. Dr. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro.
Financiamento: FAPESP (Proc. # 2002/05614-2) e Fundação Biodiversistas – Programa Espécies Ameaçadas (Proc. # 020I/012004).
1 1 1 1 1 1 Projeto Uçá I - Biologia do Caranguejo-Uçá Ucides cordatus (Linnaeus, 1763) (Crustacea, Decapoda, Brachyura), no litoral sul do Estado de São Paulo.

Este projeto avaliou aspectos relacionados ao crescimento, maturidade sexual, fecundidade, embriologia e época reprodutiva desta espécie na região de Iguape (SP). Uma população foi amostrada mensalmente durante dois anos, com captura de 150 exemplares/mês, que foram sexados/classificados em três grupos de interesse (machos, fêmeas não ovígeras e fêmeas ovígeras), pesados em balança de precisão 0,01g (PE = peso úmido total) e medidos com paquímetro (0,05mm) ou sistema de análise de imagens (0,01mm): cefalotórax (LC = largura; CC = comprimento), abdome (LA = largura do 5o somito), própodo do quelípodo maior (CP = comprimento e altura) e gonopódios (CG1 = comprimento do 1o par; CG2 = comprimento do 2o par). As relações biométricas CCxLC, CPxLC, LAxLC, CG1xLC, CG2xLC e PExLC foram submetidas à análise de regressão pela função potência (y=a.xb), para estudo do crescimento relativo da espécie. Para a obtenção das curvas de crescimento em tamanho e peso os exemplares de cada sexo foram distribuídos em classes de tamanho (LC) e as componentes modais empregadas para estabelecer seus parâmetros: constante de crescimento (k) e tamanho assintótico (LC∞). A maturidade foi avaliada macroscopicamente por inspeção do estágio gonadal, com determinação das curvas de maturidade fisiológica para cada sexo e estabelecimento do tamanho em que ela se inicia (LC50%). O tamanho na maturidade morfológica será determinado para as relações CPxLC (machos) e LAxLC (fêmeas), submetidas ao programa MATURE. O tamanho na maturidade foi comparado morfológica e fisiologicamente para cada sexo, com a estimativa do tamanho de maturidade funcional. Cerca de 50 fêmeas ovígeras tiveram a massa de ovos pesada e seu número (NO) quantificado por pesagem diferencial. A fecundidade potencial será estimada pela relação NOxLC, enquanto a fecundidade média relativa (F’) foi calculada sazonalmente para averiguar a estratégia reprodutiva da espécie. Os estágios embrionários foram descritos quanto a sua morfometria, coloração e proporção vitelo/embrião, além da coerência de seu agrupamento num número menor de estágios. A delimitação da época reprodutiva será estabelecida por análise do percentual mensal de fêmeas ovígeras na população, sendo checada com os percentuais mensais de exemplares com gônadas maturas. Os dados obtidos vêm sendo utilizados pelos órgãos gestores na adequação das leis que determinam a época de defeso da espécie na região, bem como pelo seu manejo populacional.

Coordenador: Prof. Dr. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro.
Financiamento: FAPESP (Proc. # 98/6055-0) e FUNDUNESP (Proc. # 302/99-DFP).
1 1 1 1 Projeto Caranguejo-Uçá na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul (SC).

Este projeto analisou a dinâmica reprodutiva (época de cópula, de muda, de maturação gonadal e de desova), bem como a densidade e estoque populacional de U. cordatus, com projeções sobre seu potencial de extração imediato e futuro. Uma população dessa espécie foi amostrada mensalmente durante um ano nos manguezais da Baía da Babitonga (SC), com captura de 200 exemplares/mês. Estes foram identificados, sexados/classificados em três grupos de interesse (machos, fêmeas não ovígeras e fêmeas ovígeras), medidos com paquímetro (LC = largura cefalotorácica) e pesados em balança eletrônica (PE = peso úmido total). A estrutura populacional da espécie foi avaliada por inspeção dos histogramas mensais de distribuição de tamanho (machos e fêmeas). Cada exemplar foi classificado quanto ao seu desenvolvimento gonadal em três estágios (imaturo, em maturação e maturo), bem como mensalmente para estabelecimento da dinâmica gonadal de cada sexo. A delimitação da época reprodutiva foi estabelecida pelo percentual mensal de fêmeas ovígeras na população, sendo confrontada com o período de maior percentual de fêmeas maturas. A época de cópula foi obtida pelos meses de maior ocorrência de fêmeas com espermatecas cheias de espermatóforos (cópula recente), sendo confrontada com os meses caracterizados pela regressão gonadal dos machos (gônada matura para em maturação). A época de muda de cada sexo foi determinada pela associação dos estágios de muda com o padrão cromático do cefalotórax. Durante o período reprodutivo o fenômeno de “andada” e outros comportamentos típicos foram registrados diariamente, associando-os às fases lunares. As informações foram empregadas em fóruns de discussão sobre a legislação de defeso em vigor, norteando seu ordenamento extrativo na região e possibilitando a manutenção dos estoques para o futuro.

Coordenador: Prof. Dr. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro.
Financiamento: CEPSUL/IBAMA.
1 1 1 1 Ciclos de vida de Crustáceos Decápodos e Estomatópodos no Arquipélago de São Pedro e São Paulo.

O estudo do ciclo de vida de crustáceos no ASPSP acrescentará novas informações sobre a relação das latitudes equatoriais e ambientes isolados com padrões reprodutivos e produtivos de larvas planctônicas. Esse estudo servirá como base para outros a serem realizados em ilhas oceânicas da costa brasileira, haja vista servirem como potencial atrativo a recursos pesqueiros e concentração planctônica, em especial das larvas de crustáceos, que servem de alimento a peixes. Crustáceos decápodos como caranguejos, camarões carídeos e lagostas são muito abundantes no Arquipélago, cuja proporção larval (recém-eclodidas e pós-larvas) pode indicar se a região é fornecedora ou receptora de larvas. O caranguejo Grapsus grapsus é muito abundante na parte emersa da ilhas, que atualmente tem sido continuamente visitada por pesquisadores. No entanto, seu papel no fluxo de energia é ainda desconhecido, sendo a reprodução uma das funções dos organismos que apresenta menor tolerância às modificações ambientais. Assim, o estudo da biologia reprodutiva auxiliará no monitoramento do impacto da presença humana no local; a biometria dos exemplares para o estabelecimento da maturidade sexual e em trabalhos sobre o crescimento e dinâmica populacional; e o registro larval nas amostras de plâncton um importante indício das relações entre a coluna d água e a porção emersa das ilhas.

Coordenadora: Profa. Dra. Andréa Santarosa Freire (Depto de Ecologia e Zoologia - Centro de Ciências Biológicas / Universidade Federal de Santa Catarina).
Financiamento: CNPq.


1 1 1 1 Fecundidade e Crescimento do Siri Arenaeus cribrarius (Lamarck, 1818) (Crustacea, Brachyura, Portunidae), no litoral norte do Estado de São Paulo, Brasil.

Os exemplares de Arenaeus cribrarius foram coletados mensalmente durante 12 meses com redes "otter-trawl" na zona litorânea de Ubatuba (SP), Brasil. Os animais foram medidos (LC, largura cefalotorácica sem os espinhos laterais), sexados e pesados (PE, peso úmido). A massa de ovos de cada fêmea foi pesada (PO, peso úmido dos ovos), seca, com contagem do número de ovos (NO). Foram avaliados os gráficos de dispersão das relações NOxLC, NOxPE e NOxPO, também submetidas a análises de regressão. A fecundidade media relativa foi calculada por mês/estação do ano, sendo comparada para verificar uma possível variação sazonal da intensidade produtiva. O número de ovos apresentou correlação positiva com as variáveis independentes analisadas, variando de 135.210 a 682.156 ovos. Esta fecundidade foi intermediária em relação a outros portunídeos, sendo mais elevada nos Portuninae e reduzida nos Polybiinae. A fecundidade media relativa não diferiu mensal ou sazonalmente, mas a maior intensidade reprodutiva ocorreu no verão e inverno, o que pode ser decorrente da reduzida variação térmica que caracteriza as regiões subtropicais. As curvas de crescimento foram obtidas da análise de 2.629 exemplares (1.293 machos e 1.336 fêmeas), com os animais de cada sexo distribuídos em classes de tamanho de 5mm. As modas de tamanho foram avaliadas em função do tempo e ajustadas ao Modelo de Von Bertalanffy, obtendo-se os seguintes parâmetros: tamanho assintótico de 120,52mm (machos) > 100,81mm (fêmeas); e constante de crescimento de 1,80 (machos) > 1,60 (fêmeas). A longevidade foi de 1,8 anos para os machos e 2,0 anos para as fêmeas. Os machos tiveram uma maturidade precoce (5,0 meses) quando comparada à das fêmeas (6,8 meses). A razão de crescimento e tamanho assintótico desta espécie foi superior ao de outras espécies de portunídeos, apresentando, por isso, grande interesse para a aquicultura.

Coordenador: Prof. Dr. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro.
Financiamento: Programa Jovens Pesquisadores - FAPESP (Proc. # 1995/09495-2).
1 1 1 Crescimento Relativo e Reprodução de Achelous spinicarpus(Crustacea: Portunidae) na costa sudeste do Brasil

Este trabalho teve por objetivo estudar o crescimento relativo, a maturidade sexual morfológica e a fecundidade do siri Achelous spinicarpus em uma região tropical, na plataforma continental Sudeste do Brasil (25º S). Foi realizada a biometria de todos os exemplares, considerando medidas do cefalotórax, quelípodo, abdome e gonopódios. O crescimento relativo foi descrito com base na equação alométrica (y=axb), enquanto que o tamanho de maturidade sexual foi determinado a partir de inflexões nas relações envolvendo o quelípodo, gonopódios (machos) e abdome (fêmeas), como variáveis dependentes, quando relacionadas à largura cefalotorácica (variável independente). A fecundidade foi estimada pelo método gravimétrico. As relações do comprimento do própodo quelar e espinho carpal pela largura da carapaça sem os espinhos laterais (CW) apresentaram alometria positiva em ambos os sexos, com significativa variação na constante “b” para os machos entre as fases de desenvolvimento (jovem e adulta) e tamanho de maturidade estimado em 37 mm de CW. Nas fêmeas, o abdome foi mais adequado na estimativa da maturidade morfológica, ocorrendo com tamanho inferior (32 mm de CW), com mudança no padrão de crescimento entre as fases, passando de isométrico (jovens) para alométrico positivo (adultas). Os gonopódios também evidenciaram diferentes taxas de crescimento entre as fases de desenvolvimento, inclusive em sincronia com as variáveis do quelípodo. A fecundidade média para a espécie foi 53,984 ovos, havendo correlação positiva e significativa entre o número de ovos (NE) exteriorizados e o tamanho (CW) das fêmeas, bem como a equação que permite a interconversão entre estas variáveis, devido ao ajuste da função potência (r2 ≥ 86%).

Responsável: André Luiz Pardal Souza
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Antônio Amaro Pinheiro
Financiamento: Bolsa de Iniciação científica – FAPESP (Proc. # 2009/11711-0).
1 Biologia Populacional de Emerita brasiliensis (Crustacea, Anomura, Hippidae), na região intertidal da Praia Vermelha do Sul, em Ubatuba (SP).

Emerita brasiliensis Schmitt, 1935 é um crustáceo anomuro conhecido popularmente no Brasil como “tatuíra”, com distribuição do Estado de Espírito Santo (Brasil) a Buenos Aires (Argentina). Foram coletados 834 indivíduos (290 machos e 544 fêmeas, sendo 97 ovígeras e 447 sem ovos), resultantes de amostras bimensais ocorridas de maio/ 1992 a março/1993, com peneiras na região intertidal da Praia Vermelha do Norte, em Ubatuba (SP), Brasil. Os animais foram sexados e medidos, apresentando comprimento cefalotorácico (CC) variando conforme o sexo: machos de 3,4 a 17,3mm (l3,2±2,1 mm) e fêmeas de 13,8 a 26,3mm (20,5± 1,8mm). As fêmeas preponderaram na população (0,54 macho:1 fêmea), embora em maio ocorreu um padrão inverso (1,84:1). As Fêmeas ovígeras ocorreram em todas as amostras (exceto em maio e setembro), com maiores frequências em julho e janeiro. É provável que a maturidade das fêmeas seja atingida com 17mm CC, que corresponde ao menor tamanho de fêmea ovígera encontrada.

Coordenadores: Prof. Dr. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro e Prof. Msc. Jelly Makoto Nakagaki
Navio Soloncy Moura Caranguejo Navio Soloncy Moura Patrocínio Navio Soloncy Moura Projeto Soloncy - Diversidade de Crustáceos e Peixes no Talude Continental Centro-Sul do Estado de São Paulo

São escassos os estudos dedicados ao levantamento da macrofauna bentônica do talude continental ao longo do litoral brasileiro. Dentre os organismos associados aos fundos não consolidados, os crustáceos decápodos e os peixes perfazem a maior parte da biomassa nesses biótopos, pelo que se faz necessária a realização de levantamentos faunísticos de modo a identificar espécies-chave e obter estimativas de diversidade. Tal conhecimento fornecerá as bases necessárias para começar a entender o funcionamento da comunidade amostrada no presente projeto, além de possibilitar a identificação das espécies com potencial interesse comercial. As atividades de pesca ao longo do litoral brasileiro estão praticamente restritas à plataforma continental, pelo que poderão ser propostas alternativas para o desenvolvimento de uma atividade sustentável visando espécies de profundidade. Em comparação com a região norte do Estado de São Paulo, os estudos realizados no Centro-Sul são ainda incipientes, atendo-se principalmente a áreas estuarino-lagunares, mais produtivas. O presente projeto tem como objetivo caracterizar a composição, distribuição e diversidade de crustáceos decápodos e peixes no talude continental Centro-Sul do Estado de São Paulo, ao largo da orla costeira compreendida entre as cidades de Santos e Cananéia. O NPq 'Soloncy Moura' será utilizado como base operacional para as coletas sazonais durante dois anos consecutivos, prevendo um total de oito cruzeiros. A área amostrada estará compreendida entre as latitudes 25º a 27º S, totalizando cerca de 28.000 Km2. O navio percorrerá uma rota seguindo um modelo 'dente de serra' , num total de seis radiais, conduzindo em cada uma a três transectos de três Kms nas isobatas de 100, 300 e 500 m. Em cada transecto os organismos demersais e bentônicos serão capturados utilizando uma rede de arrasto de fundo, além de serem registrados os principais parâmetros fisico-químicos da água de superfície e fundo (temperatura, salinidade e oxigênio dissolvido) e caracterizada a textura e a matéria orgânica associada aos sedimentos. O padrão de distribuição destes taxa será examinado em função dos principais parâmetros ambientais, possibilitando o reconhecimento de áreas prioritárias, visando propostas de conservação e gerenciamento. Os índices de diversidade e riqueza serão estimados na escala espaço-temporal definida. Também é prevista a elaboração de um levantamento de crustáceos decápodos e peixes, além de quantificar a abundância relativa das espécies capturadas, de modo a determinar quais constituem potenciais estoques pesqueiros. A biologia pesqueira dessas espéceis será estudada para a delimitação do período reprodutivo e tamanho da primeira maturação, que servirão de base para a elaboração de portarias de defeso a ser implementadas pelo CEPSUL/IBAMA.

Coordenadores: Prof. Dr. Marcelo Antonio Amaro Pinheiro
Financiamento: Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Sudeste e Sul (CEPSUL) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
1 1 1 Acúmulo de seis metais pesados nos estágios foliares do mangue-vermelho, Rhizophora mangle (Linnaeus) (Angiosperma: Rhizophoraceae), e em estruturas corpóreas do caranguejo-uçá, Ucides cordatus (Linnaeus, 1763) (Crustacea, Brachyura, Ucididae)

Os macroinvertebrados bentônicos são de grande relevância na avaliação e monitoramento da qualidade ambiental de ecossistemas aquáticos, particularmente aqueles submetidos a impactos antropogênicos. Os metais pesados podem ser acumulados pelos organismos desses ecossistemas, podendo atingir níveis tóxicos, mesmo em doses menores, levando em conta a interação entre eles. O caranguejo de mangue Ucides cordatus é um crustáceo semiterrestre herbívoro, que se alimenta das folhas e propágulos disponíveis sobre o sedimento de manguezal, tendo íntima relação com o sedimento e com a água existente em suas galerias. O presente estudo visa analisar o acúmulo de seis metais pesados (Cd, Cu, Pb, Cr, Mn e Hg) em três estruturas corpóreas do caranguejo-uçá (musculatura, hepatopâncreas e brânquias), bem como em três estágios de maturação foliar do mangue-vermelho (brotos, verdes maduras do terceiro ramo e amarelas senescentes nos ramos). Pretende-se que os resultados obtidos possam ser utilizados como parâmetro para escolher a melhor estrutura corpórea/estágio foliar em estudos de monitoramento desses metais em manguezais, disponibilizando importante informação sobre a bioacumulação na biota, principalmente no caso do caranguejo-uçá, que é um recurso pesqueiro relevante em várias regiões brasileiras.

Responsável: Pablo Pena Gandara e Silva
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Antônio Amaro Pinheiro
Financiamento: Bolsa de Iniciação científica – FAPESP (Proc. # 2010/05129-3).
1 1 Crescimento de Emerita brasiliensis (Schmitt, 1935) (Crustacea, Anomura, Hippidae), em Ubatuba (SP)

Emerita brasiliensis é um crustáceo hipídeo encontrado em países do Atlântico Ocidental. O presente estudo visa determinar o modelo da curva de crescimento em tamanho para machos e fêmeas de E. brasiliensis Schmitt, 1935, na Praia Grande, Ubatuba (SP), além de relacionar seus principais parâmetros a fatores ambientais com variação latitudinal ou local, caso disponíveis na literatura. No período de outubro/1996 a setembro/1997 foram realizadas coletas mensais na região intertidal da Praia Grande, em Ubatuba (SP), com uso de peneiras, com obtenção de 7.069 animais (4.295 são machos e 2.774 fêmeas). Os exemplares tiveram seu tamanho de referência (CC, comprimento cefalotorácico) medido com paquímetro ou sistema de análise de imagens, com posterior agrupamento por sexo em classes de tamanho de 1mm. Os dados obtidos foram digitados e analisados por mês e agrupamentos bimensais pelo programa FiSAT, com decomposição das componentes modais discriminados pelo Método de Battacharya, confirmados pela rotina NormSep. O melhor acompanhamento modal ocorreu com o agrupamento bimensal dos dados obtidos para cada sexo, com estabelecimento das componentes modais (média ±­ desvio padrão) e linkagem daquelas mais expressivas, referentes à mesma coorte etária. Com base nas coortes etárias foi estimado para cada sexo a taxa de crescimento, o tipo de modelo do crescimento em tamanho em função da idade (VBNS, Von Bertalanffy não sazonal; ou VBS, Von Bertalanffy sazonal) e os parâmetros de crescimento, particularmente a constante de crescimento (k) e comprimento máximo assintótico (CC∞). Para os machos a constante de oscilação (C) foi expressiva e significativa (C=1), indicando o modelo VBS para representar o crescimento, enquanto nas fêmeas não houve expressividade desta constante (C=0,3; p>0,05), com melhor ajuste por VBNS. Utilizando os métodos disponibilizados pelo FiSAT, informações pregressas importantes sobre a bioecologia de E. brasiliensis e planilhas eletrônicas para o ajuste das curvas de crescimento. A espécie apresentou longevidade de 6 anos, sendo maior nos machos do que nas fêmeas, com indícios de reversão sexual de machos para fêmeas a partir de 10mm (CC), com idade de 2 anos. Não foi evidenciado efeito significativo dos parâmetros ambientais analisados sobre o crescimento de E. brasiliensis, embora a existência do efeito latitudinal seja observado na revisão bibliográfica, com uma redução pouco expressiva do índice de desempenho de crescimento (Ø’) com o aumento latitudinal. Os valores deste índice foram discrepantes quando comparados aos da literatura, particularmente no caso dos machos, que apresentaram a menor constante de crescimento (k) quando comparada a outros estudos já realizados anteriormente sobre esta espécie.

Responsável: Bruna Trevisan Souza (Iniciação Científica)
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Antônio Amaro Pinheiro
Financiamento: Bolsa de Iniciação Científica – FAPESP (Proc. # 2010/15193-0).


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